Franquias: As “Desventuras” mau acabadas

“Desventuras em Série” é uma série de treze livros escritos pelo autor Lemony Snicket, que na verdade é o pseudônimo de Daniel Handler, que criou o nome para poder ser incorporado a sua própria estória. Seus livros são do gênero literatura gótica e mistério e foram inicialmente escritos para o público infantil, mas como não agradou seus editores, Handler reescreveu um manuscrito gótico para adultos (que havia escrito muitos anos antes), passando a explorar a estória de crianças crescendo em meio a situações terríveis e esse conceito agradou seus editores que lançaram sua série de livros a partir de 1999. Os livros ganharam notoriedade, sendo que a Paramount comprou os direitos de adaptação, baseando um filme estrelado por Jim Carrey e mais recentemente uma série no streaming Netflix em parceria com a Paramount Television, adaptando todos os treze livros em formato de série, a primeira temporada foi um sucesso e está para ser lançada sua segunda temporada em 30 de março.
Vamos então relembrar um pouco do filme que infelizmente, não teve uma continuação. Lembrando que tudo escrito aqui é apenas minha opinião, cada um tem a sua.

Desventuras em Série

O filme foi lançado em 2005 pela Paramount, entre seu elenco estavam os atores Jim Carrey como o Conde Olaf e Jude Law como o autor e narrador Lemony Snicket. A estória começa quando os pais de Violet (a inventora), Klaus (o leitor) e Sunny (a mordedora) recebem a noticia que seus pais morreram em um incêndio. Mau se recupera de sua dor e são levados pelo indiferente Sr. Poe (encarregado da fortuna da família Baudelaire) até seu guardião, o Conde Olaf que mesmo sem nenhuma condição financeira e emocional para criar uma criança é o escolhido para mantê-las sob sua guarda. Ao chegar a sua mansão, logo os irmãos Baudelaire percebem que nada será fácil, o Conde é totalmente rude e cruel com eles, os obrigando a realizar todas as tarefas de casa, mas isso acaba no dia em que Olaf tenta mata-los, deixando-os trancados em um carro parado no meio da linha férrea, os irmãos Baudelaire conseguem se safar graças a genialidade de Violet.
Apesar de não estarem mais sob a guarda do Conde, ele não para de persegui-los ou melhor de perseguir seu dinheiro, disfarçado, ele engana seus dois guardiões seguintes, primeiro o Tio Monty, um Herpetologista e bom homem que os levaria para o Peru, mas seus planos são frustrados pelo Conde que o mata durante a noite usando um veneno de cobra. Sua próxima tutora a Tia Josephine, uma mulher louca por gramatica, mas que tem um medo terrível sobre tudo, acaba enganada por Olaf que finge gostar dela, ele a faz escrever um bilhete passando a guarda dos irmãos Baudelaire para ele, mas ela é mais esperta e finge sua morte pulando da janela e se escondendo na Gruta do P, os irmãos Baudelaire quase morrem quando a casa de Josephine começa a despedaçar por conta do vento forte, mas se safam e encontram Josephine. No caminho de volta, eles descobrem que seus pais faziam parte de algo maior, eram lideres de uma organização que combatia incêndios criminosos. Josephine acaba comendo uma banana e isso atrai as terríveis sanguessugas que quase os matam, mas são salvos por ninguém menos que Olaf apesar de que apenas as crianças saem ilesas, pois o Conde com ódio da mulher tê-lo enganado a deixa para ser devorada pelas sanguessugas.
O Conde Olaf consegue a guarda das crianças de volta e descobre que apenas por laço de sangue ou por meio do casamento ele poderá obter a herança dos Baudelaire, assim ele coloca em pratica um novo plano, se casar com Violet e para que ela aceite ele ameaça jogar Sunny do telhado se ela não assinar os papeis. Violet com medo e horror da situação aceita a chantagem enquanto Klaus busca uma alternativa. Ele sob a torre onde Sunny está e consegue resgata-la e enquanto olha o local percebe que no mirante existe um olho que dava direto para sua casa, Klaus descobre que quando a luz do sol bate no olho pode formar uma pequena chama e assim ele descobre que seus pais foram assassinados.
Quando o Conde consegue se casar com Violet ela vendo que Sunny estava salva conta a todos que o casamento era de verdade, além de todas as atrocidades que ele cometeu, os espectadores ficam surpresos e incrédulos e Olaf como não tem mais nada a perder conta a verdade, que tudo não passava de um plano para roubar a fortuna deles e que mesmo com os avisos das crianças ninguém os escutou, sendo assim  todos eram seus cumplices, enquanto Olaf está com a certidão sob sua cabeça Klaus aproveita o sol e a queima com o olho do mirante, assim o Conde é preso e forçado a vivenciar os horrores que os irmãos passaram, mas em algum momento consegue fugir. Os irmãos Baudelaire voltam para o carro do Sr. Poe e quando fazem uma parada em sua antiga casa recebem uma carta de seus pais que havia extraviado, dentro dela continha uma luneta e na carta estava escrito algumas palavras que lhes deram esperança, pois deveriam continuar juntos, cuidando uns dos outros, pois o melhor que eles têm são a si mesmos.

 

Análise: O filme tem um tom sombrio, mas a escolha de Jim Carrey como o Conde Olaf consegue trazer seu humor característico, devo dizer que este seja o primeiro de seus filmes que não consigo dar gargalhadas e sim sentir pena e ódio por todas as suas armações pra cima dos irmãos Baudelaire. Acredito que Carrie tenha trazido à essência de Olaf dos livros, um homem mau caráter que faz o impossível para conseguir a fortuna dos Baudelaire para o seu bem estar financeiro e pessoal, não medindo esforços, mesmo que tenha que matar (o que faz por diversas vezes em seu caminho). Os irmãos Baudelaire são um colírio para os olhos, em cena os atores Emily Browning (Violet), Liam Aiken (Klaus) e as gêmeas Kara e Shelby Hoffman (Sunny) tem uma química incrível e passam muito bem o sentimento de serem órfãos e viverem em um mundo onde não conseguem ter um lar sólido, sendo jogados de um lado para o outro por adultos “responsáveis”. O misterioso autor Lemony Snicket é um adendo para a estória, é ele quem alerta sobre as desventuras dos irmãos Baudelaire e parece saber mais do que está escrevendo, nos dando a impressão que de alguma maneira faz parte da estória, ele não participa das cenas, mas vê-lo escreve-las enquanto as narra, nos dá um filme mais pessoal e faz o espectador pensar no final sobre todas as desventuras dos irmãos Baudelaire e que tudo poderia ter sido evitado se os adultos tivessem escutado as crianças.
A estória em si aborda as consequências de não ouvirmos as crianças em um mundo cheio de perigos e pessoas não tão boas, confiar em um rosto, em aparência ou mesmo no que falam nem sempre é uma boa escolha principalmente se tratando de crianças, não escuta-las pode ser um erro terrível com consequências piores ainda e é exatamente isso que o livro/filme aborda, as consequências de nossos atos, de maneira por vezes lúdica, por vezes realista o filme nos passa uma estória que consegue fazer seu espectador pensar.

 

O filme adaptou os três primeiros livros da série “Desventuras em Série”: “Mau Começo”, “A Sala dos Répteis” e “O Lago das Sanguessugas”. Teve uma ótima recepção de público e crítica para um filme deste estilo e ainda recebeu um Oscar na categoria Melhor Maquiagem. Estava planejado que este seria o primeiro de uma série de filmes que iria abordar toda a série de treze livros lançados, mas o projeto demorou tanto para ser definido e sair da gaveta que quando a Paramount decidiu produzir já era tarde, as crianças já haviam crescido e Jim Carrey já estava com outros planos. Este filme é um ótimo exemplo de como um bom planejamento e rapidez pode acarretar em uma série de sucesso que renda ótimos lucros assim como ocorreu nas séries “Harry Potter” e “O Senhor dos Anéis”.

Jessica Potter

Formada em História, Escritora e amante do Universo Geek.

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